"O Bazar de Cyndi Lauper": Roupas Icônicas, Estilo Ousado e um Legado que Transcende Gerações
Alicia Abelli, mãe de 44 anos do Brooklyn, artista e ex-advogada, não conseguiu esconder os gritinhos de alegria enquanto segurava um body de renda preto que pertenceu a Cyndi Lauper. "Isso é a cara dos anos 90!", exclamou. "Me disseram que ela usou muito."
Na terça-feira, um verdadeiro tesouro de peças icônicas de Lauper, acumuladas ao longo dos últimos 20 anos, foi colocado à venda em uma pequena "limpeza de guarda-roupa", realizada em um espaço doado no Lower East Side. O evento atraiu fãs fervorosos, muitos deles que cresceram com a era da MTV e além. Eles enfrentaram temperaturas congelantes, aguardando por mais de cinco horas para ter a chance de garantir uma peça do exuberante e surpreendentemente usável guarda-roupa da lenda pop.
Entre os itens à venda estavam o blazer pop art da Moschino que Lauper usou em um palco com Nicki Minaj, além das blusas e calças skinny da Diesel, que ela usava frequentemente em viagens. "Isso é tão a minha cara!", exclamou um homem, empolgado com uma camisa preta de botões com uma cintura transparente e fluida, usada pela própria Cyndi no ano passado.
Riley Verry, de 26 anos, moradora do East Village e funcionária de uma loja de discos, chegou com o visual completo: decote de estampa de leopardo, delineador gatinho e franja frisada. "Eu amo os anos 80 — deveria ter nascido naquela época", disse, saindo de lá com um chapéu feito à mão pela designer local Sideara, que parecia uma série de anéis de Saturno.
A energia do evento era contagiante, com compradores exibindo um estilo vibrante, repleto de tons de rosa-choque, estampas de frutas e pele sintética arco-íris, ao lado de casacos vintage bordados e vibrantes ternos Alice + Olivia, um dos favoritos de Lauper. Embora as peças fossem uma representação do estilo único de Cyndi, a verdadeira conexão estava na profunda admiração por ela: uma artista vencedora de Grammy, Tony e Emmy, aliada de longa data da comunidade LGBTQ+ e uma verdadeira ícone da individualidade e ousadia.“Adoro a liberdade de expressão dela, o fato de ela defender os direitos humanos. Ela é excêntrica, e eu amo isso”, disse Riley.
Harmony Trujillo, de 47 anos, que cresceu nos Montes Ozark, também foi uma das admiradoras. “Cyndi me ensinou tudo o que eu precisava saber. Ela era tão diferente de tudo o que eu já tinha visto. Eu queria ser exatamente como ela”, disse, enquanto folheava as roupas de palco sob uma placa feita à mão com a inscrição "Deal After Deal", uma homenagem à clássica balada "Time After Time".
"Com certeza vou comprar algo que me traga pura alegria", disse Trujillo. “Pura alegria.”
No final do dia, tudo estava esgotado. A renda líquida foi destinada à fundação de Lauper, a **Girls Just Wanna Have Fundamental Rights**, que promove os direitos e a saúde das mulheres. A maioria das peças tinha preços acessíveis — uma caixa de luvas sem dedos novas, vendidas por apenas US$ 10, foi disputada e esgotou rapidamente.
“Eu só queria dar uma geral no guarda-roupa dela”, disse Nikki Fontanella, estilista de Lauper há 25 anos e uma das organizadoras do evento. “E eu queria que fosse acessível aos fãs. Que legal, né? Poder ter uma camiseta da Cyndi Lauper por apenas 30 dólares!”
Apesar de Lauper, aos 72 anos, não ter comparecido, as fotos dela em peças icônicas — como um terno estampado para o programa de Ellen DeGeneres ou com cabelo rosa e jaqueta de couro azul-acinzentada — estavam por toda parte. Alguns compradores adquiriram peças com a esperança de usá-las em ocasiões especiais: uma compradora, por exemplo, levou um fraque branco estilo smoking da Moschino, usado por Lauper no réveillon de 2018-2019, na esperança de usá-lo em seu casamento hipotético.
Fontanella, que se tornou a historiadora de moda do evento, também compartilhou curiosidades sobre as inovações das peças, como o couro elástico, que foi uma grande tendência no início dos anos 2000. "Ela é autêntica — às vezes usa Zara; acontece", disse Fontanella. “Temos também peças de grife; ela é tudo isso e muito mais.”
Kelli Bailey, uma artista do Lower East Side, foi uma das que aguardaram pacientemente por mais de quatro horas para ter a chance de comprar uma peça. Quando finalmente entrou, saiu com um terno listrado que lembrava um dos looks icônicos de Lauper. Outros compradores também escolheram peças para suas mães ou filhas, celebrando um legado que se espalha por gerações.
Pervis Ross-Gurrieri, publicitário de moda de 40 anos, comentou: “O estilo maximalista de Lauper me inspirou a tentar mais. Ela me ensinou a adicionar mais um colar, mais uma pulseira. O truque é usar o que você quiser.”
Durante o evento, o espírito comunitário também brilhou. Brittany Dichter, de 52 anos, viajou uma hora e meia de New Jersey para o evento, trazendo aquecedores de mãos e pés para os outros compradores. Ela fez amizade com Harmony Trujillo e já estava planejando férias com ela.
Depois, as duas compararam suas aquisições: um terno azul e dourado com estampa de tapeçaria para Brittany; um vestido de renda preto e calças boca de sino de crochê para Harmony. Ambas se sentiram tão ousadas quanto Lauper com suas novas peças. "Sem dúvida", disse Brittany, acrescentando: "Vocês precisam entender, ela nos moldou. Cyndi foi revolucionária. E continua sendo."
(Matéria traduzida do The New York Times)


Comentários
Postar um comentário