Cyndi Lauper e o Avanço no Combate ao HIV: De "True Colors" à Ativismo Social
Recentemente, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) aprovou o lenacapavir, o primeiro medicamento injetável que, com administração semestral, previne a infecção pelo HIV em quase 100%. Comercializado como Sunlenca, o fármaco foi desenvolvido pela Gilead Sciences e já havia recebido a aprovação nos Estados Unidos e na Europa.
Esse medicamento se destina à profilaxia pré-exposição (PrEP), voltada para pessoas sem HIV, com idade superior a 12 anos, peso acima de 35 kg e teste negativo para o vírus. Embora não seja uma vacina, o lenacapavir age como um antiviral que impede a replicação do HIV no organismo, sendo administrado a cada seis meses para garantir proteção contínua. Este avanço se soma a outros métodos de prevenção, como a PrEP em comprimidos, disponível no SUS desde 2017, que também reduz drasticamente o risco de infecção, mas que exige adesão diária, uma barreira para muitos.
Em 2022, a Organização Mundial da Saúde (OMS) reconheceu o lenacapavir como parte de uma estratégia mais ampla de prevenção combinada, incluindo o uso de preservativos, testagem e a PrEP. Segundo a OMS, essa aprovação representa uma “ação política histórica” que pode remodelar a resposta global ao HIV, marcando um importante avanço no combate à epidemia.
A Voz Ativista de Cyndi Lauper na Luta Contra a AIDS
Enquanto os avanços científicos continuam a transformar a luta contra o HIV, poucas figuras públicas têm sido tão influentes quanto Cyndi Lauper no ativismo relacionado à AIDS. Em diversas entrevistas, Lauper mencionou o impacto pessoal e profissional que teve ao se posicionar publicamente sobre a epidemia, mesmo sabendo que isso poderia prejudicar sua carreira. A cantora nunca hesitou em falar abertamente sobre a crise da AIDS nos anos 1980, quando o medo e o estigma em torno da doença eram avassaladores.
Em uma entrevista à revista People em junho de 2023, Lauper compartilhou detalhes sobre a inspiração por trás de sua icônica música “True Colors”, lançada em 1986. Ela revelou que compôs a canção enquanto um dos seus melhores amigos, Gregory Natal, estava morrendo de AIDS, com apenas 24 anos. "Eu sabia que a melodia era deslumbrante e a letra também", disse Cyndi no documentário Let the Canary Sing, refletindo sobre a importância de se conectar emocionalmente com as pessoas através de sua música. "Eu queria falar com um ser humano no seu ponto mais sensível", explicou ela, acrescentando que sua intenção era sussurrar no ouvido de quem mais precisava de consolo.
A morte de Gregory foi devastadora para Cyndi, que se sentiu impotente diante do estigma e do medo que cercavam a AIDS naquela época, quando a doença ainda era considerada uma sentença de morte. Em meio a essa dor, “True Colors” se tornou o hino que ela sentia que ele queria que o mundo ouvisse. Lauper também escreveu “Boy Blue”, uma música mais pessoal que fazia referência a seu amigo, embora esta não tenha alcançado o mesmo sucesso comercial.
A decisão de Lauper de expor seus sentimentos mais íntimos sobre a epidemia não foi fácil, mas ela estava determinada a usar sua plataforma para gerar conscientização. Com o tempo, a música "True Colors" se transformou em um símbolo de aceitação e resistência.
O Legado de Cyndi Lauper em Prol dos Direitos Humanos
Além de seu ativismo contra a AIDS, Lauper tem sido uma defensora incansável dos direitos humanos e da igualdade. Em 2008, ela fundou a True Colors United, uma organização dedicada a combater a falta de moradia entre jovens LGBTQ+ nos Estados Unidos. Mais recentemente, em 2022, ela criou o fundo Girls Just Want to Have Fundamental Rights, com o objetivo de apoiar o acesso ao aborto e as causas feministas.
A música “True Colors”, com sua mensagem de amor e aceitação, continua a ser um símbolo de luta e transformação, não apenas no combate à AIDS, mas também em todas as outras questões sociais que Cyndi Lauper abraçou ao longo de sua carreira. Sua coragem em falar sobre temas difíceis e seu compromisso em usar sua fama para gerar mudanças reais fazem dela uma das artistas mais importantes do nosso tempo, tanto musical quanto socialmente.


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