Cyndi Lauper se declara fã de Bad Bunny

    Após uma apresentação marcante no Super Bowl e a vitória no Grammy 2026, Cyndi Lauper por meio de suas redes sociais, descreveu o show do Bad Bunny no intervalo do Super Bowl como um espetáculo inspirador:

    —“Bad Bunny foi espetacular ontem à noite. Ele foi inspirador, corajoso e fabuloso.

    Os dançarinos, os músicos e toda a atmosfera cultural foram maravilhosos. Foi tudo uma completa inspiração… Agora sou fã.”

    Apresentação teve Ricky Martin e Lady Gaga entre outros convidados, com cultura latino-americana sendo exaltada. Para o presidente dos EUA, o show foi 'repugnante' e uma 'afronta à grandeza da América'.

    Bad Bunny comandou o cobiçado intervalo do Super Bowl, evento de maior audiência da TV americana. A apresentação foi repleta de simbolismo e mensagens sobre a cultura latino-americana. Isso já era esperado, já que Bad Bunny exalta a identidade porto-riquenha no premiado disco "Debí Tirar Más Fotos".

    Com o contexto atual da relação entre EUA, imigrantes e comunidade latina, mesmo antes de começar, esse já foi o show mais político da história do Super Bowl. Não à toa, o show enfureceu Trump.

    A apresentação foi feita quase inteiramente em espanhol, sem muita tradução para o inglês. Aliás, o cantor se empenhou em fazer a tradução contrária: na abertura, foram mostrados os dizeres "el espetáculo de medio tiempo del Súper Tazón", ou seja, "o espetáculo do intervalo do Super Bowl" em espanhol.

    Em seguida, foi mostrada uma ambientação bem porto-riquenha, com os trabalhadores no campo, senhores jogando dominó, uma mulher na manicure e por aí vai. Logo de cara, fica claro que Bad Bunny quer levar o espectador para a sua terra e cultura.

    "Meu nome é Benito Antonio Martinez Ocasio, e se hoje estou aqui no Super Bowl 60, é porque nunca deixei de acreditar em mim. Você também deveria acreditar em você. Você vale mais do que você imagina", disse ele mais tarde em espanhol.

    O músico também levou a "casita", um cenário de seus shows que representa uma típica casinha porto-riquenha. Nos shows, a casa reúne convidados que dançam e curtem as músicas enquanto Bad Bunny se apresenta.

    Já neste Super Bowl, entre os convidados da casita, estavam Cardi B, Karol G, Pedro Pascal e Jessica Alba, todos latinos ou estadunidenses de ascendência latina.

    Além disso, com as dançarinas, essa e outras partes da apresentação mostraram o "perreo", estilo de dança sensual que surgiu em Porto Rico nos anos 80. 

    Cerca de cinco minutos após o início do espetáculo de 13 minutos, a parte final de uma cerimônia de casamento foi exibida, com um celebrante e um casal. O casamento foi real, como confirmou um representante do cantor para a imprensa americana.

    O casal, que não teve os nomes divulgados, havia convidado Bad Bunny para o casamento, mas ele sugeriu que, em vez disso, eles participassem do show do intervalo. O artista serviu como testemunha e assinou a certidão de casamento, com direito até a um bolo de verdade.

    A cantora Lady Gaga entrou com Los Sobrinos, uma banda porto-riquenha de salsa, para tocar “Die With a Smile”. Eles foram uma espécie de "banda de casamento" para o casal que apareceu logo antes.

    A cerimônia teve mesinhas, bolo de casamento e até uma criança "dormindo" na cadeira. Em seguida, a própria Gaga foi puxada para dançar por Bad Bunny em "Baile Inolvidable".

    Em seguida, ele entoou "Nuevayol". A faixa relembra a conexão entre a ilha caribenha e a cidade americana, considerada o centro cultural e demográfico mais importante para os porto-riquenhos fora de San Juan. Afinal, até a bandeira de Porto Rico foi feita por lá.

    O cenário imitou as "bodegas" americanas, com direito à aparição especial de Toñita, dona do Caribbean Social Club. É um dos bares mais emblemáticos da cultura latina em Nova York.

    Foi nesse momento, também, que Bad Bunny aproveitou para entregar um Grammy para uma criança que "o assistia" em uma televisão. As roupas do menino foram inspiradas em um visual que o próprio Benito (Bad Bunny) usava em uma foto de infância.

    Outro destaque foi a aparição de Ricky Martin, conterrâneo de Bad Bunny. Sentado em cadeiras que simulam a capa do disco "Debí Tirar Más Fotos", o convidado cantou "Lo que le pasó a Hawaii", uma das canções mais políticas do repertório de Bad Bunny.

    A faixa narra como o imperialismo americano afetou a identidade e a cultura do Havaí, território que se tornou parte dos EUA em 1898. Ele diz que "não quer que façam" com Porto Rico o que foi feito com o arquipélago havaiano.

    Mais para o fim, Bad Bunny apareceu com uma grande bandeira de Porto Rico, com o triângulo em azul-claro (a bandeira nesse tom é associada aos rebeldes pró independência). Nessa hora, ele cantou "El Apagón", outra de suas músicas focadas em crítica social. Ele subiu em um poste e acabou causando um "apagão" no estádio.

    Esse momento pareceu simbolizar a infraestrutura elétrica destruída durante o furacão Maria, em 2017, e a negligência governamental por lá. Desde então, a população enfrenta constantes apagões.

    O momento mais representativo veio no fim do show, quando Bad Bunny pegou uma bola de futebol que dizia "Juntos, somos a América". Ele estava acompanhado de bailarinos e músicos que seguravam bandeiras de diversos países do continente americano.

    "Deus abençoe a América", disse o artista em inglês, reproduzindo a frase patriótica comumente usada pelos estadunidenses.

    Os países foram citados do Sul para o Norte, exceto por Porto Rico, que entrou por último por ser a terra do cantor.

    No fundo, um telão exibia a frase "A única coisa mais poderosa que o ódio é o amor". E assim, Bad Bunny encerrou dançando e cantando "Dtmf", faixa-título do disco mais recente, que fala sobre amor, saudade, identidade e memória.

    Cyndi republicou trechos da performance em sua timeline e stories. O cantor promete vir ao Brasil em breve. 

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