Por trás do post: “Não esqueçam do Japão”: Cyndi Lauper relembra tragédia de 2011

Em 12 de março de 2012 em Tóquio, Japão, Cyndi Lauper falou durante uma coletiva de imprensa realizada no Clube de Correspondentes Estrangeiros. Cyndi estava no Japão para marcar o primeiro aniversário do Grande Terremoto do Leste do Japão e visitou a área atingida no norte do país durante sua visita. Cyndi desembarcou no dia do terremoto, 11 de março do ano de 2011, para sua turnê.

No trecho postado por ela em suas redes sociais, Cyndi destacou a seguinte fala:

"Conversei com minha equipe e com todo mundo, e disse que gostaria de ficar porque, como disse no início, senti que seria uma boa distração e, se a música realmente cura, então vamos ver, vamos colocar isso à prova aqui. E se eu fosse embora, o que True Colors teria significado, afinal? E o quanto essa música seria curativa se eu chegasse cantando e depois desse o fora assim que a coisa ficasse um pouco assustadora, sabe? As outras bandas, eu entendo, mas minha história com este país é muito longa, mais longa do que alguns deles sequer saíram da escola. É por isso que fiquei".

Em 11 de março de 2011, um terremoto de magnitude 9,0 atingiu a costa nordeste do Japão. O tremor provocou um tsunami que varreu a região, com algumas das ondas chegando a mais de dez metros de altura. O desastre cortou a eletricidade na Usina Nuclear Fukushima 1, operada pela Companhia de Energia Elétrica de Tóquio.

Esta falha levou à fusão nuclear e à liberação de grandes quantidades de substâncias radioativas. Segundo a polícia, foram contabilizadas no total 19.711 mortes, incluindo aquelas de pessoas que morreram posteriormente devido a complicações causadas pelo desastre. Além destas, 2.519 pessoas nunca foram encontradas.   

Um relatório do governo revelou que mais de 750.000 casas na região ficaram danificadas no desastre. Mesmo hoje, pessoas de mais de 26.000 domicílios nas províncias de Iwate, Miyagi e Fukushima ainda vivem em moradias públicas construídas para aqueles que perderam suas casas. Muitos deles moram sozinhos e estão envelhecendo.  


Cyndi Lauper fala sobre Japão, solidariedade e reconstrução um ano após o desastre de 2011

Durante a coletiva, Lauper relembrou que estava no país no dia do desastre. Ela havia chegado ao Aeroporto de Narita com sua banda pouco antes do terremoto acontecer. Enquanto muitos artistas internacionais cancelaram apresentações e deixaram o Japão, a cantora decidiu permanecer e seguir com sua turnê.

Segundo Lauper, a decisão veio de sua longa relação com o público japonês, que começou ainda nos anos 1980. “Venho ao Japão desde 1983 e sempre trabalhei lado a lado com pessoas daqui. Eu conheci esse país e aprendi a amar o povo japonês”, explicou.


Música como forma de cura

Para a artista, continuar se apresentando naquele momento era uma maneira de oferecer algum alívio emocional. Ela afirmou que a música pode ajudar as pessoas a superar momentos traumáticos.

“Durante 70 ou 80 minutos, todos podem se reunir e cantar. A música pode curar, ou pelo menos fazer alguém esquecer a dor por um instante”, disse.

Lauper também recordou um momento marcante de sua primeira visita ao país: quando o público japonês cantou de volta sua música "True Colors" durante um show. Para ela, esse tipo de conexão foi um dos motivos que a fizeram permanecer no Japão após o desastre.


“Não esqueçam do Japão”

Um dos principais objetivos da visita de Lauper em 2012 era chamar atenção internacional para a situação das regiões afetadas.

A cantora pediu que o mundo não esquecesse do Japão e incentivou as pessoas a manter contato com amigos que vivem no país e a apoiar economicamente as áreas atingidas.

“Todos estão tentando se reerguer. Apenas não esqueçam do Japão”, afirmou.

Ela também destacou que muitas comunidades ainda enfrentavam dificuldades, incluindo desemprego e deslocamento de moradores, especialmente em regiões próximas a Fukushima.


Visitas às áreas afetadas

Durante sua estadia no Japão, Lauper visitou cidades atingidas pelo tsunami e relatou ter visto de perto a destruição causada pela tragédia. Entre os locais visitados estavam escolas e comunidades que sofreram perdas significativas.

Um dos momentos que mais a marcou foi conhecer uma escola primária onde crianças precisaram permanecer no telhado por dias após o desastre para sobreviver. A cantora também visitou uma pequena loja de instrumentos musicais danificada pelo tsunami.

Inspirada por essa visita, Lauper comentou que pretendia comprar um piano restaurado da loja para doá-lo a uma escola da região, incentivando as crianças a se aproximarem da música.

Ela também sugeriu plantar árvores de cerejeira nas áreas devastadas como símbolo de renovação e esperança. “Toda primavera as flores voltariam, crescendo junto com as crianças”, explicou.

Durante a coletiva, Lauper também falou sobre o medo causado pela radiação e pela falta de informações claras sobre a situação em Fukushima. Para ela, a transparência é essencial para que as pessoas possam recuperar a confiança.

“A informação é poder. Quando você não sabe o que está acontecendo, o medo cresce”, afirmou.

A cantora defendeu que as comunidades afetadas não sejam isoladas e reforçou a importância de manter o apoio econômico às regiões atingidas.

Ao encerrar a coletiva, Lauper resumiu sua visão sobre o que a motivou a permanecer no Japão no momento da crise.

“Se alguém cai na sua frente, você ajuda essa pessoa a se levantar ou simplesmente passa por cima? Eu fui criada para parar e ajudar.”

A mensagem final da artista reforçou o espírito de solidariedade e a profunda ligação que ela desenvolveu com o público japonês ao longo de décadas de carreira. 

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