Shine - álbum "independente" de Cyndi Lauper - completa 22 anos
Shine é o oitavo álbum de estúdio de Cyndi Lauper, lançado exclusivamente no Japão, em 15 de março de 2004. Seria lançado em 2001, mas a Edel Music, a gravadora sob a qual o projeto foi gravado, o engavetou.
Após sua finalização as faixas vazadas de um disco de demos circularam rapidamente na Internet e em 2002 e Lauper percebeu que não havia mais sentido em tentar lançá-lo de forma convencional. Em vez disso, dois EPs foram lançados: um deles também intitulado Shine e o outro de Shine Remixes.
As faixas são majoritariamente pop e flertam com a música eletrônica e a new wave enquanto incorporam instrumentos tradicionais como cítaras e violinos. As canções não são liricamente ligadas e exploram temas que vão desde o complexo Madonna–whore à vida de celebridade.
Até dezembro de 2003 o EP Shine vendeu 41.000 cópias nos Estados Unidos, de acordo com a Nielsen SoundScan. O disco Shine seria o primeiro de canções inéditas desde Merry Christmas...Have a Nice Life, de 1998. O lançamento que deveria ter ocorrido em 2001 foi adiado, pois a gravadora que ela havia acabado de assinar decretou falência e deixou de existir. O EP foi finalmente lançado pelo selo independente Oglio em 16 de julho de 2002, mas os fãs já tinham contato com as músicas pois elas já tinham vazado na internet.
SHINE ERA PARA SER UM DISCO DE DANCE MUSIC. EU ESTAVA INDO NESSA DIREÇÃO depois de ter concluído alguns trabalhos com dois companheiros da Soul Solution que remixaram “Ballad of Cleo and Joe”. Essa música se tornou um grande sucesso no sul da Flórida porque um fã e amigo meu, Carlos Rodriguez, ficou tão chateado com a forma como a gravadora me tratou que conseguiu um emprego em uma estação de rádio e tocou minha música (obrigada, Carlos). E, como eu disse, eu tinha feito “Disco Inferno” para a primeira turnê da Cher porque eu não queria ser apenas a artista das antigas sem nada para vender. Essa música foi indicada para um Grammy de Melhor Gravação Dance em 1999 e se tornou um sucesso nas danceterias.
Compus a música “Shine” e algumas outras com Bill Wittman, um colaborador de longa data. Também compus com Jan e continuei tentando voltar a compor com os rapazes da Soul Solution. Senti uma conexão com eles porque, como eu disse anteriormente, minha tia conhecia o tio de Bobby Guy e porque tivéramos sucesso. Mas os tempos mudaram e eles mudaram e eu mudei.
De qualquer forma, Shine começou como um disco de dance, mas quando apresentei as músicas nas quais estava trabalhando em casas noturnas, percebi suas deficiências. Muitas delas eram muito complicadas para dançar. Eu cantava alguma coisa e percebia: “Ah, essa música tem muitas mudanças de acordes”. A dance music tem apenas três acordes, ou talvez quatro, no máximo. Isso não muda muito. Ela precisa ser bem simples e não ter muitas palavras. As coisas avançaram um pouco desde então, mas, basicamente, eu achava que a dance music era mais restritiva que o pop, por outro lado, no começo eu achava que ela seria mais criativa.
Na época, eu teria gostado de receber dados de Junior Vasquez, mas ele não estava falando comigo porque insultei um de seus amigos ou algo assim, e ele estava convivendo com pessoas estranhas que meio que assumiram um pouco a sua vida. Eu realmente não sabia o que estava acontecendo, mas nos desentendemos por um tempo (agora estamos nos falando de novo). Quando comecei a tocar dulcimer em meus álbuns, ele dizia para mim: “Ninguém gosta daquela merda caipira que você está tocando”. Então, às vezes, quando ele não retornava minha ligação, eu ligava para ele de novo e tocava o dulcimer em sua secretária eletrônica. Percebi que tinha que fazer mudanças no álbum, me afastando um pouco da dance, e corrigi-lo para o que ele era: um álbum de pop, rock, dance e R&B.
Uma música desse álbum que sempre achei muito engraçada era “It’s Hard to Be Me”, que escrevi com Bill e Rob Hyman. Parece uma música de comédia, mesmo sendo uma música de rock. Rimos muito quando estávamos escrevendo. Por exemplo, no trecho You see me everywhere in my underwear / You may wonder what I’m here to sell [Você me vê em todos os lugares de cueca / Você deve imaginar o que vim vender aqui]. É porque, mais ou menos no ano 2000, estavam mostrando modelos em roupas íntimas nos anúncios e fiquei pensando: “Onde estão as roupas? O que eles estão vendendo?”. Apesar de estarem em roupas íntimas, não dava para saber se estavam vendendo roupas íntimas, música, roupas ou o quê. A música deveria ser irônica também, como com o trecho que Bill criou: It’s hard to be me Nobody knows what it’s like to be me the envy of mediocrity [É difícil ser eu Ninguém sabe como é ser eu a inveja da mediocridade]. (Bill é muito inteligente.) Além de “Comfort You”, Jan e eu compusemos “Higher Plane”, que achei que seria um grande hit. Eu adorava essas músicas, mas quando eu as tocava para as pessoas da gravadora, elas diziam: “Não parece você, Cyn”. Eu pensava: “Isso não é bom?”. E daí se não parece eu? “Shine” parecia um hit para mim também, mas as rádios não a tocavam por causa da bateria, por causa do ritmo. Não conseguiam me dizer o que não gostavam no ritmo, mas paguei o rapaz que trabalha com engenharia para Mutt Lange para remixar a música. Ele acabou comprimindo tanto a minha voz que parecia que eu não conseguia cantar. Percebi que só porque o compressor funcionava para outras pessoas não significava que funcionaria para mim. Então me senti como Vinnie van Gogh tentando fazer uma pintura de sucesso de novo.
De qualquer forma, Shine deveria ser lançado por uma gravadora menor chamada Edel em 1 de setembro de 2001, mas, algumas semanas antes, Lisa me ligou e me disse: “A Edel America está saindo do mercado. Você precisa reaver os direitos da sua música”. Então lutamos para recuperá-los e, em seguida, tive oportunidade de lançar o álbum com uma gravadora independente bem pequena, mas eu não tinha certeza sobre isso. Além disso, algumas faixas vazaram para o público. Percebi isso quando me apresentei pela primeira vez e todo mundo já estava cantando junto. Então Lisa procurou outras gravadoras para ver se elas fariam o disco, mas o feedback foi bem desanimador, do tipo: “Quem ela pensa que é? Ela não é produtora, ela deveria apenas cantar. Eu só posso aceitá-la se ela fizer tudo o que eu disser para ela fazer”. Queriam que eu trabalhasse com o compositor David Foster. Eu não queria trabalhar com alguém de cuja música eu não gostasse. Ele é um cara muito talentoso, mas faz um tipo de música bem melódica e diz o que você quer, mas não faço música melódica. Eu não queria fazer baladas tão emocionantes. Quanta angústia é possível cantar? Até algumas pessoas de R&B voltaram e disseram: “Ela não consegue produzir, isso é horrível”. O trabalho horrível sobre o qual elas estavam falando inspirou muitas das músicas que estão surgindo agora. Consigo ouvir “Shine” na música “Firework”, de Katy Perry. E a banda Arcade Fire é uma grande fã minha e muita coisa os inspirou – foi o que me disseram.
Depois disso, eu falei: “Vamos só produzir um EP e ver o que acontece”. Lisa me disse para escolher cinco músicas, então escolhi “Shine”, um remix dela, “It’s Hard to Be Me”, “Madonna Whore” e “Water’s Edge”. “Shine” é a maior música underground. Quando canto essa música, é um grande sucesso, as pessoas enlouquecem.
A propósito, a música “Madonna Whore” não tinha absolutamente nada a ver com a Madonna. Era sobre o complexo da Madonna-vadia. Eu estava só escrevendo sobre minha experiência como mulher: Every woman’s a Madonna every woman’s a whore you can try to reduce me but I’m so much more [Toda mulher é uma Madonna toda mulher é uma vadia você pode tentar me reduzir, mas sou muito mais]. Mas é claro que, por causa da coisa entre mim e a Madonna, é isso que as pessoas iam pensar. Que idiota eu.
No entanto, a própria Madonna trouxe esse conceito em seus materiais mais incríveis e mais provocativos, como “Like a Prayer”, que, só para constar, me fez amá-la. Quando vi aquele clipe, eu disse: “Certo, ela é muito boa”. Ela apertou todos os botões só com aquele botão – foi brilhante. Quando a Pepsi desistiu dela depois daquele clipe, ela não só recebeu o dinheiro deles como usou essa controvérsia para tornar o clipe ainda maior, e todo o mundo viu – todo o mundo. Quando a Pepsi a rebaixou desse jeito, na verdade, o que fizeram foi impulsioná-la. Ela sabia exatamente como trabalhar isso. E, como eu disse antes, eu sempre me esforçava bastante, mas não sabia como manipular a imprensa. Eu não tinha senso para negócios.
Em seguida, vendi o EP no meu site e Lisa batalhou muito para vendê-lo pela livraria Borders. Eu não desistiria e tive muita ajuda dos meus amigos, que trabalharam de verdade. Foi um pequeno EP independente e acho que, no fim, vendi 68 mil deles, um por um. Não foi o que eu havia planejado originalmente para o álbum, mas esse era um número de vendas decente e isso tornava tudo mais fácil. Nunca vou me esquecer de quando aprontei tudo para Shine e depois descobri que a Sony estava lançando mais uma coleção de “as melhores”, um DVD de Twelve Deadly Cyns... and Then Some de todos os meus clipes até “I’m Gonna Be Strong”. Esse tipo de porcaria. Eles estavam canibalizando minhas vendas. Não dá para ter dois lançamentos ao mesmo tempo. Mas o que eu podia fazer?
De volta aos Estados Unidos, fiz muitas sessões de autógrafo para Shine, o que eu adorava. Conheci muitas pessoas e ouvi histórias tristes de veteranos doentes que estavam voltando da Guerra do Golfo. Eu me esforcei bastante para vender CDs e dar o máximo de autógrafos possível. O estranho sobre as sessões de autógrafo é que é difícil assinar com rapidez. Você quer apertar a mão de todos, tirar uma foto, fazer uma conexão e agir como um ser humano, mas os gerentes da loja querem que você entre e saia dali em uma hora ou duas. Só que isso é impossível. Se houver quinhentas pessoas, você ficará lá por três horas.










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