Cyn City, igual só que diferente, 'She Bop' de Cyndi Lauper, número de abertura em Vegas!
Para quem estava falando que o show que faz parte da primeira residência de Cyndi Lauper em Vegas é igualzinho aos mesmos apresentados durante sua turnê de despedida, a The Girls just want to have fun - Farewell Tour e, na verdade é mesmo igual...Só não se atentou a um detalhe: o número de abertura.
Apesar de ainda usarem a introdução com a versão extendida de She Bop e a projeção ser a mesma usada, criada pelo magnífico diretor Brian Burke, Cyndi usa um figurino um pouco diferente e uma coisa muito legal acontece no palco, que não víamos durante os outros concertos.
O projeto do teatro foi baseado no antigo Coliseu de Roma. Ele está conectado ao cassino perto das lojas do Fórum . O local tem 78 m de diâmetro, com a rotunda a 37 m do chão. O palco mede 2.086 m² e possui um arco de proscênio com 14 m de altura e 37 m de largura (uma das maiores aberturas de palco do mundo). Foi projetado com 180.000 watts de amplificação e 139 alto-falantes. Também inclui uma tela de LED de 37 m de largura por 12 m de altura, fabricada pela Mitsubishi Diamond Vision, que adicionou US$ 10 milhões ao orçamento da construção. A tela de vídeo proporciona a ilusão de um cenário de palco em 3D.
O próprio palco inclui dez elevadores de palco motorizados que compõem 75% do palco. Ao contrário do Coliseu em Roma, o teatro foi construído em um ambiente íntimo, com os assentos mais distantes a 37 m (120 pés) do palco. Para reforçar sua intimidade, o local está equipado com 200 painéis acústicos para controlar o som amplificado.
Agora percebam no vídeo abaixo que Cyndi simplesmente sai do chão ao iniciar sua entrada mais que fabulosa, com seu grande adorno em volta da cabeça:
Cyndi escreveu em sua autobiografia sobre o processo de gravação desta música:
Meu pensamento para escrever “She Bop” foi: eu me lembro de quando era criança, muito se falava sobre a música “Get Off of My Cloud”, dos Stones. O boato era que “nuvem”, na verdade, significava “minha garota” ou “minha puta”. Eu me lembro de pensar: “Oooh! Sério?”. Quando a gente é criança, gasta tempo pensando sobre as coisas mais ridículas. Quero dizer, quantas vezes fiquei a noite toda no parque com meus amigos, discutindo se Paul estava morto? “Vamos tocar o álbum de trás para frente! John não está dizendo: ‘Enterrei Paul’?”. Então pensei: “Ei, por que não passar adiante esse legado? As crianças ouvem ‘She bop, he bop-a-we-bop’ e acham que é sobre dançar. Então, quando os filhos crescem, eles ouvem: ‘They say I’d better stop, or I’ll go blind’, e percebem sobre o que é a música e dão risada”. Isso acrescenta uma dimensão diferente a uma música e aprofunda sua relação com ela. Eu queria que a música não fosse evidente. Steve fazia parte do grupo, então nos certificamos de que a música não se referisse a mãos ou tocar em nada, porque, se acontecesse, não estaríamos escrevendo uma música multinível. De qualquer forma, a parte velada é sempre tradição no R&B. Demos muita risada escrevendo isso. Nós nos sentamos lado a lado com as letras em toda a página, que é como eu escrevo às vezes, com uma melodia básica. Porém, não sabíamos como a música começaria. Então eu disse: “Não seria engraçado se o som fosse como o do Big Bopper, como John Lennon fez em Rock’n’Roll, seu álbum de rockabilly?”. A questão sobre o começo do riff inicial de “She Bop” é que era rockabilly, mas ainda se mantinha fiel ao som eletrônico pop moderno que estávamos fazendo com a caixa. E, por favor, Big Bopper? Isso foi engraçado também.
Muitas vezes, eu não sabia que uma música aconteceria de uma certa forma até que eu tentasse. Porque tudo é sempre como um quebra-cabeça, você começa desse jeito e, então, de repente, o quebra-cabeça começa a se formar – às vezes é bom e às vezes é ruim. Às vezes você e seus parceiros de escrita dão tapas nas costas uns dos outros: “Somos gênios! Funcionou!”. É como quando o óleo jorra através da torre de perfuração e você pensa: “Está vivo!”. Aí, no dia seguinte ou na semana seguinte, depois de estarem um pouco abatidos pelos poderes superiores, vocês estão lá, olhando uns para os outros, dizendo: “Em que diabos estávamos pensando?”. Mas é assim que sempre acontece.
Gravei “She Bop” em uma sala na parte de trás do estúdio. Era a sala do grande armazém retangular onde o Kiss ensaiava. Comecei a cantar lá porque me irritava o fato de Rick assistir às minhas apresentações de forma tão atenta. Consegui convencer Bill a passar os fios para o microfone e outras coisas para a sala, para que eu tivesse total privacidade.
Era lá que cantava “She Bop”. Eu poderia até tirar a roupa e cantar e ninguém ia saber. Então, é claro, foi o que fiz e também me fiz cócegas. É por isso que você me ouve rindo, porque foi bem ridículo. Eu estava cantando seminua. Ouvi dizer que Yoko tirou a roupa para cantar “Walking on Thin Ice”, o que acho legal.
No entanto, a maioria das pessoas não entendeu sobre o que era “She Bop” até muito tempo depois, quando fui ao programa de rádio da dra. Ruth. Eu estava brincando com ela, fazendo de conta que estava no consultório de uma psiquiatra, mas tudo que eu disse foi exagerado depois pela imprensa. De repente, “She Bop” estava na “Filthy Fifteen”, do Parents’ Music Resource Center, uma lista de músicas que deveriam ser banidas, como “Let Me Put My Love into You” do AC/DC. Fiquei muito brava, porque me assegurei de nunca ter mencionado que eu estava me tocando, para que crianças pequenas nunca soubessem. Então fui descoberta por causa da minha boca grande. Agora toda criança sabia do que se tratava e não era para ser assim. Oh, c’est la vie. Isso é francês, significa “não importa”.
Sempre tentei, de forma árdua, fazer música que não se tornasse datada. Então tive uma conversa com Clark e ele me disse que eu estava fazendo música descartável. Isso é o que música pop era – descartável. Eu disse: “Não, eu não trabalhei toda a minha vida para fazer música descartável”. Depois de “She Bop”, eu queria escrever outra música, e Dave Wolff dizia: “Espere, espere – ela virá”. Isso não aconteceu, e eu tive que lutar com unhas e dentes e, por fim, quando o álbum estava quase pronto, comecei a escrever com Eric. Foi difícil, porque na época ele parecia um pouco disperso. Quando finalmente conseguimos um som depois de trabalhar nele por horas – ou dias – ele a mudava. Seu processo me fazia esquecer as melodias que eu estava cantando depois de um tempo.
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