X39: o adesivo usado por Cyndi Lauper que promete aliviar dores e regenerar o organismo divide opiniões
O assunto voltou aos holofotes após a apresentação de Cyndi Lauper no Rock in Rio Lisboa, realizada no último sábado, 27 de junho. Fãs mais atentos perceberam que a cantora, de 73 anos, usava um adesivo na região do pescoço, identificado por muitos como o X39.
O modo de uso é simples: basta retirar o adesivo da embalagem e aplicá-lo diretamente sobre a pele. Comercializado como um dispositivo de fototerapia, ele promete estimular os mecanismos naturais de regeneração do organismo, oferecendo benefícios que incluem redução da dor, aumento da disposição, melhora da qualidade do sono e recuperação mais rápida do corpo. Mas será que essas promessas realmente têm fundamento?
Em entrevista à revista portuguesa NiT, o médico António Hipólito de Aguiar afirma que ainda não existem evidências científicas robustas capazes de comprovar a eficácia do produto. "Não há provas robustas sobre a atividade deste adesivo. Isto é muito baseado num pressuposto físico, mas não tem qualquer comprovação científica sólida", explica.
Apesar disso, relatos positivos se multiplicam nas redes sociais. Usuários afirmam ter experimentado melhorias em problemas como dores musculares, fadiga, cicatrização de feridas e até sinais de envelhecimento da pele.
Segundo o especialista, o funcionamento do X39 baseia-se no conceito de fotobiomodulação, técnica que utiliza a luz para estimular determinados processos biológicos. Diferentemente de medicamentos ou cremes, o adesivo não contém substâncias ativas nem libera compostos no organismo.
"Na realidade, temos um dispositivo que não liberta nada. É um espelho que reflete para o corpo aquilo que ele próprio produz", explica o médico.
A teoria apresentada pela fabricante é que o adesivo reflete parte da radiação infravermelha emitida naturalmente pelo corpo, desencadeando uma resposta biológica que estimularia a produção do peptídeo GHK-Cu. Essa molécula vem sendo estudada há décadas por seu potencial na regeneração de tecidos, cicatrização e reparação celular.
É justamente nesse ponto que está uma das principais promessas do produto: a suposta ativação das células-tronco. De acordo com António Hipólito de Aguiar, essas células possuem grande capacidade regenerativa e desempenham papel fundamental na formação dos diferentes tecidos do organismo. Atualmente, seu uso é restrito a aplicações médicas bastante específicas, como alguns tratamentos oncológicos e terapias regenerativas realizadas em ambiente clínico.
Entretanto, o médico ressalta que não existem estudos consistentes que demonstrem que o simples uso do adesivo seja capaz de provocar esse efeito no organismo humano.
"Não há estudos nem fundamentação científica para isto", reforça.
Mesmo diante da falta de consenso científico, o X39 continua sendo um dos produtos mais populares da LifeWave. Entre os benefícios divulgados pela empresa estão a redução da dor, aumento da energia, melhora do sono e aceleração da recuperação após lesões ou esforço físico. Segundo o especialista, o adesivo costuma ser aplicado principalmente em áreas de maior tensão muscular, como a região cervical.
Por cautela, António Hipólito de Aguiar recomenda que determinados grupos consultem um profissional de saúde antes de utilizar o produto. Gestantes, pessoas imunossuprimidas, pacientes com doenças fotossensíveis, indivíduos com epilepsia e pacientes oncológicos devem ter atenção especial. Além disso, o adesivo não deve ser aplicado sobre os olhos devido à exposição à radiação luminosa.
Outro fator que alimenta o ceticismo em torno do X39 é o fato de ele não ser comercializado em farmácias. Sua venda ocorre principalmente pela internet e por distribuidores autorizados da marca. Segundo o especialista, isso acontece porque o produto não é classificado como medicamento nem como dispositivo médico, além de não possuir estudos científicos suficientes que sustentem sua eficácia.
Os preços variam de acordo com o país e o distribuidor, mas uma caixa contendo 30 adesivos costuma custar entre 100 e 150 euros. A recomendação da fabricante é utilizar um adesivo por dia.
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