42 anos de "She Bop", o single mais polêmico de Cyndi Lauper nos anos 80!
Escrita por Lauper, Stephen Broughton Lunt , Gary Corbett e Rick Chertoff , e produzida por este último. Foi lançada em 2 de julho de 1984 pela Portrait Records como o terceiro single de seu álbum de estreia, She's So Unusual (1983). Liricamente, a canção aborda o tema da masturbação feminina , que causou polêmica na época de seu lançamento.
"Meu pensamento para escrever “She
Bop” foi: eu me lembro de quando era criança, muito se falava sobre a música
“Get Off of My Cloud”, dos Stones. O boato era que “nuvem”, na verdade,
significava “minha garota” ou “minha puta”. Eu me lembro de pensar: “Oooh!
Sério?”. Quando a gente é criança, gasta tempo pensando sobre as coisas mais
ridículas. Quero dizer, quantas vezes fiquei a noite toda no parque com meus
amigos, discutindo se Paul estava morto? “Vamos tocar o álbum de trás para
frente! John não está dizendo: ‘Enterrei Paul’?”. Então pensei: “Ei, por que
não passar adiante esse legado? As crianças ouvem ‘She bop, he bop-a-we-bop’ e
acham que é sobre dançar. Então, quando os filhos crescem, eles ouvem: ‘They
say I’d better stop, or I’ll go blind’, e percebem sobre o que é a música e dão
risada”. Isso acrescenta uma dimensão diferente a uma música e aprofunda sua
relação com ela. Eu queria que a música não fosse evidente. Steve fazia parte
do grupo, então nos certificamos de que a música não se referisse a mãos ou
tocar em nada, porque, se acontecesse, não estaríamos escrevendo uma música
multinível. De qualquer forma, a parte velada é sempre tradição no R&B.
Demos muita risada escrevendo isso. Nós nos sentamos lado a lado com as letras
em toda a página, que é como eu escrevo às vezes, com uma melodia básica.
Porém, não sabíamos como a música começaria. Então eu disse: “Não seria
engraçado se o som fosse como o do Big Bopper, como John Lennon fez em
Rock’n’Roll, seu álbum de rockabilly?”. A questão sobre o começo do riff
inicial de “She Bop” é que era rockabilly, mas ainda se mantinha fiel ao som
eletrônico pop moderno que estávamos fazendo com a caixa. E, por favor, Big
Bopper? Isso foi engraçado também.Muitas vezes, eu não sabia que uma música aconteceria de uma certa forma até que eu tentasse. Porque tudo é sempre como um quebra-cabeça, você começa desse jeito e, então, de repente, o quebra-cabeça começa a se formar – às vezes é bom e às vezes é ruim. Às vezes você e seus parceiros de escrita dão tapas nas costas uns dos outros: “Somos gênios! Funcionou!”. É como quando o óleo jorra através da torre de perfuração e você pensa: “Está vivo!”. Aí, no dia seguinte ou na semana seguinte, depois de estarem um pouco abatidos pelos poderes superiores, vocês estão lá, olhando uns para os outros, dizendo: “Em que diabos estávamos pensando?”. Mas é assim que sempre acontece.
Gravei “She Bop” em uma sala na parte de trás do estúdio. Era a sala do grande armazém retangular onde o Kiss ensaiava. Comecei a cantar lá porque me irritava o fato de Rick assistir às minhas apresentações de forma tão atenta. Consegui convencer Bill a passar os fios para o microfone e outras coisas para a sala, para que eu tivesse total privacidade.
Era lá que cantava “She Bop”. Eu poderia até tirar a roupa e cantar e ninguém ia saber. Então, é claro, foi o que fiz e também me fiz cócegas. É por isso que você me ouve rindo, porque foi bem ridículo. Eu estava cantando seminua. Ouvi dizer que Yoko tirou a roupa para cantar “Walking on Thin Ice”, o que acho legal.
No entanto, a maioria das pessoas
não entendeu sobre o que era “She Bop” até muito tempo depois, quando fui ao
programa de rádio da dra. Ruth. Eu estava brincando com ela, fazendo de conta
que estava no consultório de uma psiquiatra, mas tudo que eu disse foi
exagerado depois pela imprensa. De repente, “She Bop” estava na “Filthy
Fifteen”, do Parents’ Music Resource Center, uma lista de músicas que deveriam
ser banidas, como “Let Me Put My Love into You” do AC/DC. Fiquei muito brava,
porque me assegurei de nunca ter mencionado que eu estava me tocando, para que
crianças pequenas nunca soubessem. Então fui descoberta por causa da minha boca
grande. Agora toda criança sabia do que se tratava e não era para ser assim.
Oh, c’est la vie. Isso é francês, significa “não importa”.
Sempre tentei, de forma árdua, fazer música que não se tornasse datada. Então tive uma conversa com Clark e ele me disse que eu estava fazendo música descartável. Isso é o que música pop era – descartável. Eu disse: “Não, eu não trabalhei toda a minha vida para fazer música descartável”.
A propósito, se você ouvir o finalzinho de “She Bop”, vai notar que Michael Jackson pegou a linha do baixo e escreveu “Bad” a partir dela. Um pouco antes de ele entrar para gravar “Bad”, ele se sentou atrás de mim em um avião com Emmanuel Lewis e estava ouvindo “She Bop”. De qualquer forma, não importa. Fico muito lisonjeada só de ele ter pensado nisso. Ninguém estava me promovendo como faziam com ele. Eu também estava com um pouco de ciúmes dele – ele estava na Epic. Mas eles o tratavam muito mal. Ele era muito pressionado e, quando as notícias sobre abuso sexual saíram na imprensa, a gravadora se distanciou dele – todos o fizeram. Não sei como era sua vida particular, mas ele sempre foi gentil comigo. Então, é claro, quando ele morreu, a gravadora entrou na vibe “Viva Michael”. Estavam sedentos por todo o lucro que teriam, porque todos os discos dele subiram para o topo das paradas, assim como aconteceu com os discos de Whitney Houston."















Comentários
Postar um comentário