42 anos de "She Bop", o single mais polêmico de Cyndi Lauper nos anos 80!

       She's So Unusual foi lançado em 14 de outubro de 1983 pela Portrait Records. Seis singles foram lançados do álbum, com "Girls Just Want to Have Fun" tornando-se um sucesso mundial e sua primeira música á entrar na Billboard Hot 100. "Time After Time" tornou-se seu primeiro número um no gráfico e teve o sucesso semelhante em todo o mundo. Lauper também obteve sucesso com as canções de trabalho, "She Bop" e "All Through the Night" alcançando o quinto lugar. Isso faz Lauper a primeira cantora feminina a ter quatro singles no top cinco na Hot 100 de um álbum. She's So Unusual foi promovido pela Fun Tour durante 1983 e 1984.

    Escrita por Lauper, Stephen Broughton Lunt , Gary Corbett e Rick Chertoff , e produzida por este último. Foi lançada em 2 de julho de 1984 pela Portrait Records como o terceiro single de seu álbum de estreia, She's So Unusual (1983). Liricamente, a canção aborda o tema da masturbação feminina , que causou polêmica na época de seu lançamento.

    Um dos singles de maior sucesso de Lauper, "She Bop" alcançou o top 10 da Billboard Hot 100 dos EUA , chegando ao número três em setembro de 1984. A faixa alcançou o top 10 da Austrália e Nova Zelândia, alcançou o top 20 da parada europeia Hot 100 Singles e liderou a parada israelense de singles . Devido à falta de promoção, a faixa estagnou no número 46 no Reino Unido. O videoclipe da faixa, que utilizava segmentos animados e vários efeitos visuais, receberia uma indicação no MTV Video Music Awards de 1985 de Melhor Vídeo Feminino . Lauper regravaria uma versão mais tranquila da música para seu álbum de estúdio de 2005, The Body Acoustic. 
    Cyndi escreveu bastante sobre o processo de composição da música em sua autobiografia, acompanhem no trecho abaixo:
    "Meu pensamento para escrever “She Bop” foi: eu me lembro de quando era criança, muito se falava sobre a música “Get Off of My Cloud”, dos Stones. O boato era que “nuvem”, na verdade, significava “minha garota” ou “minha puta”. Eu me lembro de pensar: “Oooh! Sério?”. Quando a gente é criança, gasta tempo pensando sobre as coisas mais ridículas. Quero dizer, quantas vezes fiquei a noite toda no parque com meus amigos, discutindo se Paul estava morto? “Vamos tocar o álbum de trás para frente! John não está dizendo: ‘Enterrei Paul’?”. Então pensei: “Ei, por que não passar adiante esse legado? As crianças ouvem ‘She bop, he bop-a-we-bop’ e acham que é sobre dançar. Então, quando os filhos crescem, eles ouvem: ‘They say I’d better stop, or I’ll go blind’, e percebem sobre o que é a música e dão risada”. Isso acrescenta uma dimensão diferente a uma música e aprofunda sua relação com ela. Eu queria que a música não fosse evidente. Steve fazia parte do grupo, então nos certificamos de que a música não se referisse a mãos ou tocar em nada, porque, se acontecesse, não estaríamos escrevendo uma música multinível. De qualquer forma, a parte velada é sempre tradição no R&B. Demos muita risada escrevendo isso. Nós nos sentamos lado a lado com as letras em toda a página, que é como eu escrevo às vezes, com uma melodia básica. Porém, não sabíamos como a música começaria. Então eu disse: “Não seria engraçado se o som fosse como o do Big Bopper, como John Lennon fez em Rock’n’Roll, seu álbum de rockabilly?”. A questão sobre o começo do riff inicial de “She Bop” é que era rockabilly, mas ainda se mantinha fiel ao som eletrônico pop moderno que estávamos fazendo com a caixa. E, por favor, Big Bopper? Isso foi engraçado também.

    Muitas vezes, eu não sabia que uma música aconteceria de uma certa forma até que eu tentasse. Porque tudo é sempre como um quebra-cabeça, você começa desse jeito e, então, de repente, o quebra-cabeça começa a se formar – às vezes é bom e às vezes é ruim. Às vezes você e seus parceiros de escrita dão tapas nas costas uns dos outros: “Somos gênios! Funcionou!”. É como quando o óleo jorra através da torre de perfuração e você pensa: “Está vivo!”. Aí, no dia seguinte ou na semana seguinte, depois de estarem um pouco abatidos pelos poderes superiores, vocês estão lá, olhando uns para os outros, dizendo: “Em que diabos estávamos pensando?”. Mas é assim que sempre acontece.

    Gravei “She Bop” em uma sala na parte de trás do estúdio. Era a sala do grande armazém retangular onde o Kiss ensaiava. Comecei a cantar lá porque me irritava o fato de Rick assistir às minhas apresentações de forma tão atenta. Consegui convencer Bill a passar os fios para o microfone e outras coisas para a sala, para que eu tivesse total privacidade.

    Era lá que cantava “She Bop”. Eu poderia até tirar a roupa e cantar e ninguém ia saber. Então, é claro, foi o que fiz e também me fiz cócegas. É por isso que você me ouve rindo, porque foi bem ridículo. Eu estava cantando seminua. Ouvi dizer que Yoko tirou a roupa para cantar “Walking on Thin Ice”, o que acho legal.

    No entanto, a maioria das pessoas não entendeu sobre o que era “She Bop” até muito tempo depois, quando fui ao programa de rádio da dra. Ruth. Eu estava brincando com ela, fazendo de conta que estava no consultório de uma psiquiatra, mas tudo que eu disse foi exagerado depois pela imprensa. De repente, “She Bop” estava na “Filthy Fifteen”, do Parents’ Music Resource Center, uma lista de músicas que deveriam ser banidas, como “Let Me Put My Love into You” do AC/DC. Fiquei muito brava, porque me assegurei de nunca ter mencionado que eu estava me tocando, para que crianças pequenas nunca soubessem. Então fui descoberta por causa da minha boca grande. Agora toda criança sabia do que se tratava e não era para ser assim. Oh, c’est la vie. Isso é francês, significa “não importa”.

    Sempre tentei, de forma árdua, fazer música que não se tornasse datada. Então tive uma conversa com Clark e ele me disse que eu estava fazendo música descartável. Isso é o que música pop era – descartável. Eu disse: “Não, eu não trabalhei toda a minha vida para fazer música descartável”.

    A propósito, se você ouvir o finalzinho de “She Bop”, vai notar que Michael Jackson pegou a linha do baixo e escreveu “Bad” a partir dela. Um pouco antes de ele entrar para gravar “Bad”, ele se sentou atrás de mim em um avião com Emmanuel Lewis e estava ouvindo “She Bop”. De qualquer forma, não importa. Fico muito lisonjeada só de ele ter pensado nisso. Ninguém estava me promovendo como faziam com ele. Eu também estava com um pouco de ciúmes dele – ele estava na Epic. Mas eles o tratavam muito mal. Ele era muito pressionado e, quando as notícias sobre abuso sexual saíram na imprensa, a gravadora se distanciou dele – todos o fizeram. Não sei como era sua vida particular, mas ele sempre foi gentil comigo. Então, é claro, quando ele morreu, a gravadora entrou na vibe “Viva Michael”. Estavam sedentos por todo o lucro que teriam, porque todos os discos dele subiram para o topo das paradas, assim como aconteceu com os discos de Whitney Houston."


She Bop
Diretor: Edd Griles
Álbum: She's So Unusual (1983)

    O videoclipe conta com amigos e familiares de Cyndi Lauper, assim como os dois primeiros (Girls e Time After Time). Desta vez, além do irmão (Butch) e a mãe (Catrine Dominique) de Cyndi e o seu namorado Dave Wolff, três tias de Cyndi Lauper aparecem no vídeo. Agora já muito famosa, este vídeo contou com uma produção de cerca de 100 mil dólares. Não podemos esquecer que Lou Albano participa novamente.
    Logo no início aparece outra personagem importante da luta livre, a lutadora Wendi Richter, que faz a garçonete que estoura a bola de chiclete. 
    Carl e Gregory, amigos íntimos de Lauper, estavam no vídeo. Eles fizeram o papel de clientes robóticos no local de fast food. A prima de Gregory, senhorita Diana, uma mulher transexual, foi uma das primeiras transgêneros a participar de um videoclipe.
    Apesar de Cyndi estar lendo uma revista com o título "Beefcake" no vídeo, na música ela cita a revista "Boyblue", que realmente existiu e era uma revista gay.
    Além de ser o primeiro videoclipe da Cyn, que mostra ela como em um desenho animado. Mark Marek desenhou os personagens nas seções animadas deste videoclipe, que foram produzidos e dirigidos por Jerry Lieberman, da Jerry Lieberman Productions de Nova York
    No MTV Video Music Awards de 1985 , o vídeo foi indicado para "Melhor Vídeo Feminino", mas perdeu para " What's Love Got to Do with It ", de Tina Turner .

Set de filmagem do videoclipe em Nova York
12 de julho de 1984 por Ebet Robert


 





 


    “She Bop” recebeu uma releitura sombria que soa como uma severa acusação à política sexual moderna quando Cyndi lançou o álbum "The Body Acoustic" em 2005, regravando seus sucessos com inclusão de algumas faixas inéditas no estilo acústico.
      Todos os videoclipes que foram feitos a partir das músicas deste álbum foram dirigidos pela própria Cyndi e foram filmados em localicades diferentes dentro da Ilha do Governador em Nova York, no dia 22 de agosto de 2005.
    Governors Island é uma ilha de 86 hectares, situada na baía de Nova Iorque, aproximadamente a um quilômetro ao sul de Manhattan. Está separada do Brooklyn pelo Canal de Buttermilk. 

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