Cyndi Lauper e suas "verdadeiras cores": entrevista rara para Entertainment Weekly de 1995 (traduzida em português)
Na época, Cyndi promovia a coletânea Twelve Deadly Cyns... and Then Some, que se tornaria um grande sucesso internacional. Aos 42 anos, ela vivia um momento de reinvenção na carreira: longe dos rótulos que a acompanharam nos anos 1980, consolidava-se como uma artista respeitada, dona de uma trajetória muito mais rica do que os críticos haviam imaginado uma década antes. (eBay)
Em formato de perguntas rápidas, a entrevista revela uma Cyndi espontânea, irreverente e sincera. Ela fala sobre os discos que ouvia na época, escolhe Hat Full of Stars como o álbum que melhor representava sua personalidade, comenta a eterna comparação com Madonna, discute sexualidade e política, revela seu programa de TV favorito e até responde quais itens nunca faltavam em sua geladeira.
Um dos momentos mais interessantes acontece quando Cyndi aborda sua indicação ao Emmy por Mad About You, além de afirmar que nunca enxergou Madonna como uma rival, mas sim como uma "irmã" de geração artística.
Mais de trinta anos depois, a entrevista continua sendo um retrato fascinante de uma artista que sempre fez questão de seguir seu próprio caminho — sem se preocupar em se encaixar nas expectativas da indústria.
A seguir, confira a tradução completa da matéria publicada pela Entertainment Weekly #285, de 28 de julho de 1995.
As Verdadeiras Cores de Lauper
10 Perguntas Idiotas
O vídeo de "Girls Just Want to Have Fun", de 1984, pode ter sido perfeito para sua época, mas a própria cantora parecia destinada a ser vista como uma artista de um único sucesso. Quem imaginaria que, onze anos depois, essa musa boêmia da new wave lançaria um álbum de grandes sucessos?
"Twelve Deadly Cyns... and Then Some", recém-lançado, está se aproximando da marca de 3 milhões de cópias vendidas no exterior. Aos 42 anos, Lauper também adotou um estilo de vida mais tranquilo, comprando uma casa no interior de Connecticut com seu marido, o ator David Thornton.
Uma mulher cheia de surpresas.
— Mike Flaherty
1. O que tem no seu CD player?
Wild Colonials, Crash Test Dummies, Queen Latifah.
Um pouco de acid jazz, trance, techno — adoro esse tipo de som. E também Bush, porque Jan Pulsford, meu tecladista e parceiro de composição, tem um irmão na banda.
2. Existe algum disco na sua coleção que surpreenderia as pessoas?
"Annie Get Your Gun" com Ethel Merman — aquela mulher tinha atitude!
E, de vez em quando, um pouco de Lemmy (vocalista do Motörhead). Tem que ter!
3. Se você tivesse que relançar apenas um dos seus álbuns, qual seria?
Hat Full of Stars (1993), porque aquele disco é exatamente quem eu sou, sem censura.
4. Você e Madonna se tornaram estrelas em 1984. Alguma vez sentiu competição com ela?
Não.
Eu realmente não quero competir com uma irmã. E sempre admirei o fato de ela deixar a barriga aparecer. Eu nunca faria isso.
5. O que você faria se estivesse no lugar de Elizabeth Hurley?
Acho que isso não é da minha conta.
Mas acho triste que os americanos sejam tão obcecados por sexo. Talvez devêssemos legalizar a prostituição em vez de sermos tão atrasados em relação a esse assunto.
6. Qual é o seu programa de TV favorito?
The Honeymooners, porque eles vinham de um bairro operário como o meu; eu conheci muitos Ralph Kramdens. Fui moldada por aquele tipo de gente.
7. Se pudesse conversar com qualquer pessoa já falecida, quem seria?
Santa Teresa de Ávila (1515–1582).
Ela se dedicava à meditação, ao autodesenvolvimento e à compreensão de si mesma como mulher.
Você não consegue conhecer a verdadeira história de alguém como ela através da Igreja Católica, uma organização que nunca promoveu muito o crescimento das mulheres.
8. Você recebeu uma indicação ao Emmy por sua participação especial em "Mad About You". Existe algum personagem que adoraria interpretar?
Bloody Mary, do musical South Pacific.
Ela é essa personagem hipnotizante que canta "Bali Ha'i" e "Happy Talk".
Claro que ela também era uma mulher das ilhas do Pacífico, então não haveria como eu realmente interpretá-la.
9. Como você explica seu sucesso internacional?
Você pode vir da droga de Marte, mas se cantar com o coração, as pessoas vão responder.
10. Quais duas coisas nunca faltam na sua geladeira?
Comida para o meu cachorro e para os meus três gatos.
Legenda da foto:
"Vitrine em exibição: onze anos depois, Lauper ainda está se divertindo, mesmo que tecnicamente já não seja uma garota."
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