As Muitas Faces de Cyndi Lauper: Mona Flambé e Kindy Liphey
Em geral quando algumas pessoas pensam em Cyndi Lauper, a imagem que vem à mente é a da cantora irreverente de cabelos coloridos que conquistou o mundo nos anos 80. Mas ao longo de sua carreira, Cyndi também gostou de brincar com personagens, pseudônimos e identidades alternativas que acabaram se tornando curiosidades pouco conhecidas até mesmo entre os fãs.
Embora nunca tenha criado um universo de alter egos tão elaborado quanto artistas como David Bowie ou Prince, Cyndi utilizou diferentes personagens em momentos específicos de sua trajetória. Duas delas merecem destaque: Mona Flambé e Kindy Liphey.
Mona Flambé: a baixista mais atrapalhada da luta livre
Em meados da década de 80, Cyndi Lauper estava profundamente envolvida na chamada Rock 'n' Wrestling Connection, parceria idealizada por seu então empresário David Wolff entre a WWF e a carreira da cantora.
A estratégia era simples: usar a enorme audiência dos programas de luta livre para divulgar os videoclipes de Cyndi. O resultado foi um sucesso tão grande que acabou transformando a cantora em uma personagem recorrente daquele universo.
Foi nesse contexto que surgiu Mona Flambé.
A personagem apareceu associada ao álbum The Wrestling Album, lançado em novembro de 1985 pela WWF. Enquanto Cyndi participava dos vocais de algumas faixas, Mona Flambé era creditada como produtora da música de Captain Lou Albano, um dos principais personagens da rivalidade encenada com a cantora.
Poucos dias depois, em 16 de novembro de 1985, Mona Flambé apareceu em rede nacional durante o programa American Bandstand, apresentado por Dick Clark.
Vestida de forma extravagante e fingindo tocar baixo durante a apresentação de "Grab Them Cakes", a personagem roubou a cena ao interromper as apresentações da banda para elogiar exageradamente Captain Lou Albano. Com sua voz suave e seu jeito desajeitado, arrancou gargalhadas da plateia.
Apesar do potencial cômico, Mona Flambé acabou aparecendo poucas vezes. A personagem também pode ser vista no videoclipe de "Land of a Thousand Dances", além da contracapa de The Wrestling Album e da capa do single da mesma música.
No fim das contas, a WWF percebeu que a própria imagem de Cyndi tinha muito mais apelo comercial do que a personagem, e Mona acabou sendo deixada de lado.
Kindy Liphey: o pseudônimo misterioso
Se Mona Flambé era uma personagem visível, Kindy Liphey seguiu o caminho oposto.
O nome apareceu nos créditos do álbum Confrontation, lançado pela banda new wave Face to Face.
Nas músicas "A Boy Like You" e "The 4th Watch", os vocais adicionais são atribuídos a uma cantora chamada Kindy Liphey.
O problema?
Praticamente não existe qualquer registro dessa pessoa.
Pesquisas em jornais, revistas, encartes e bancos de dados musicais não revelam uma artista com esse nome. No entanto, o álbum traz agradecimentos especiais a Cyndi Lauper, que já possuía ligação com a banda.
Antes do lançamento de She's So Unusual, Cyndi chegou a participar de apresentações do Face to Face e até dividiu o palco com Laurie Sargent para cantar "Girls Just Want To Have Fun".
Além disso, ao ouvir as faixas creditadas a Kindy Liphey, muitos fãs afirmam reconhecer imediatamente os característicos vocais de apoio de Cyndi.
Embora nunca tenha havido uma confirmação oficial, a semelhança vocal, a proximidade entre os artistas e até mesmo a sonoridade do nome "Kindy Liphey" fazem muitos colecionadores acreditarem que se trata de um pseudônimo criado por Lauper para participar discretamente do projeto.
O que chama atenção
O nome Kindy Liphey parece quase uma brincadeira fonética:
- Cyndi → Kindy
- Lauper → Liphey (som parecido, embora não igual)
Existiram outros alter egos?
Até o momento, Mona Flambé e Kindy Liphey são os exemplos mais conhecidos de identidades alternativas associadas à cantora.
No caso de Mona Flambé, há registros visuais, créditos oficiais e aparições públicas. Já Kindy Liphey permanece cercada de mistério, alimentando uma das pequenas lendas entre colecionadores e fãs mais dedicados.
Talvez essa brincadeira com personagens não seja tão surpreendente assim. Afinal, desde o início de sua carreira, Cyndi sempre demonstrou prazer em interpretar papéis, criar histórias e transformar cada aparição pública em uma pequena performance.
E, conhecendo seu senso de humor, não seria nada estranho imaginar que ainda existam outras identidades escondidas em algum canto da sua discografia esperando para serem descobertas.




Comentários
Postar um comentário