Hoje no Mundo Cyndi Lauper: O encontro com Seymour Stein

Em 23 de agosto de 2016, Cyndi Lauper esteve nos estúdios da SiriusXM, em Nova York, ao lado de Seymour Stein. A imagem daquele dia registra muito mais do que uma simples visita a uma rádio: ela representa um capítulo especial de uma trajetória marcada por reinvenção, liberdade artística e amor pela música.

Em agosto de 2016, Cyndi Lauper já não precisava provar absolutamente nada a ninguém. Depois de décadas de carreira, sucessos inesquecíveis e uma capacidade rara de transitar entre diferentes universos musicais, a cantora continuava encontrando novas maneiras de surpreender seu público.

Naquele momento, o foco estava em Detour, seu álbum lançado em maio daquele ano, no qual Cyndi mergulhou profundamente na música country norte-americana. O projeto reuniu interpretações de clássicos associados a nomes como Patsy Cline, Dolly Parton, Loretta Lynn e Willie Nelson, revelando uma faceta da cantora que, embora pudesse parecer inesperada para alguns, tinha profundas raízes em sua formação musical. 

E ao lado dela estava um nome especialmente importante nessa história: Seymour Stein.

Stein, fundador da Sire Records, foi uma das figuras mais importantes da indústria musical americana e teve papel decisivo na trajetória de Cyndi. Seu trabalho à frente da gravadora esteve ligado a artistas fundamentais para a transformação da música popular, incluindo Ramones, Talking Heads e Madonna. 

A relação entre Cyndi e Seymour, portanto, ia muito além de uma parceria profissional.

Quando Cyndi decidiu explorar suas raízes na música country, Stein esteve diretamente envolvido no projeto. A cantora contou que queria trabalhar com ele e que essa colaboração era algo que fazia parte de sua lista de desejos artísticos. 

Foi uma combinação curiosa e, ao mesmo tempo, perfeitamente coerente: uma das maiores estrelas do pop dos anos 1980 revisitando músicas de décadas anteriores, acompanhada por um executivo que havia ajudado a moldar boa parte da música alternativa e pop americana.

O mais interessante em Detour é que a mudança de direção não representava uma ruptura com a história de Cyndi.

Muito pelo contrário.

Antes de se tornar mundialmente conhecida por músicas como “Girls Just Want to Have Fun”, “Time After Time” e “True Colors”, Cyndi já havia desenvolvido uma relação profunda com o rockabilly, o blues e os artistas que transitavam entre country, rhythm and blues e rock and roll.

Em entrevistas daquele período, ela explicou que nomes como Wanda Jackson, Patsy Cline e Hank Williams fizeram parte de suas referências e ajudaram a formar a cantora que ela se tornaria. Cyndi chegou a relacionar diretamente o rockabilly às suas próprias escolhas vocais e artísticas. 

Por isso, Detour não era simplesmente Cyndi Lauper “fazendo country”.

Era Cyndi Lauper voltando para algumas das músicas e influências que ajudaram a construir sua identidade musical.

Foi nesse contexto que aconteceu a visita de Cyndi Lauper e Seymour Stein à SiriusXM, em Nova York, em 23 de agosto de 2016.

A ocasião ganhou ainda mais significado quando a SiriusXM posteriormente apresentou um especial do Outlaw Country com os dois, dedicado justamente ao universo de Detour. Durante a conversa, Cyndi e Stein falaram sobre a relação entre country, R&B e o nascimento do rock and roll. (SiriusXM)

Entre os assuntos abordados estava também “Night Life”, clássico associado a Willie Nelson e incluído no projeto de Cyndi. Nelson participou da gravação, acrescentando ainda outra conexão entre o passado da música country e a nova interpretação proposta por Lauper. (SiriusXM)

A imagem daquele encontro, portanto, ganha outra dimensão quando vista em retrospecto.

Não eram apenas dois artistas ou profissionais da música visitando um estúdio de rádio.

Era uma cantora revisitando suas raízes ao lado de um dos homens que havia ajudado a transformar sua carreira.

Talvez essa seja uma das características mais fascinantes de Cyndi Lauper.

Desde o começo de sua carreira solo, ela nunca pareceu interessada em permanecer presa a uma única definição.

Pop, rock, new wave, blues, country, teatro musical e televisão fizeram parte de sua trajetória. Em 2013, ela também havia alcançado a Broadway com Kinky Boots, trabalho que lhe rendeu o Tony de Melhor Trilha Sonora Original.


Detour seguia exatamente essa lógica.

Aos 62 anos, Cyndi não estava tentando repetir o passado. Estava descobrindo mais uma vez quem poderia ser artisticamente.

E talvez seja justamente isso que torne aquela fotografia de 2016 tão especial.

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