Você sabia? 7 músicas que Cyndi Lauper gravou, mas que são covers!
Cyndi Lauper ficou conhecida como uma das grandes compositoras e intérpretes do pop, mas ao longo de sua carreira também deu sua própria identidade a músicas escritas e gravadas anteriormente por outros artistas.
Algumas dessas regravações se tornaram tão associadas à voz de Cyndi que muita gente nem imagina que ela não foi a primeira a gravá-las.
Entre o repertório do Blue Angel e seus primeiros álbuns solo, encontramos histórias que vão de clássicos de Prince e Marvin Gaye a músicas que originalmente pertenciam a artistas bem menos conhecidos do grande público.
💪 1. “I'm Gonna Be Strong”
Antes de se tornar uma das músicas mais marcantes da coletânea Twelve Deadly Cyns... and Then Some, “I'm Gonna Be Strong” já tinha uma longa história.
Escrita pela famosa dupla Barry Mann e Cynthia Weil, a música foi gravada pela primeira vez por Frankie Laine em 1963. A gravação, entretanto, não se tornou um grande sucesso. Foi no ano seguinte, com Gene Pitney, que a composição ganhou maior repercussão, chegando ao Top 10 nos Estados Unidos e ao #2 no Reino Unido.
Anos depois, a música chegou ao repertório do Blue Angel, banda liderada por Cyndi Lauper. A versão aparece no álbum Blue Angel, lançado originalmente em 1980.
Mais de uma década depois, Cyndi decidiu revisitar a música como artista solo.
Sua nova gravação foi incluída em Twelve Deadly Cyns... and Then Some e lançada como single em 1994, dando uma nova vida à composição.
Curiosamente, a própria história da música mostra como uma composição pode atravessar diferentes gerações: de Frankie Laine a Gene Pitney, passando pelo Blue Angel, até chegar à carreira solo de Cyndi.
✂️ 2. “Cut Out”
“Cut Out” é uma das curiosidades mais interessantes do primeiro álbum do Blue Angel.
Diferentemente da maioria das músicas do disco, compostas por Cyndi Lauper e John Turi, “Cut Out” foi escrita por Tom King e Ira Mack.
A música também havia sido gravada anteriormente pelo grupo instrumental Johnny & the Hurricanes, aparecendo em seu repertório de rock instrumental. Registros de suas gravações creditam “Cut Out” a King e Mack.
Cyndi e o Blue Angel transformaram a música em uma gravação vocal, incorporando-a ao repertório da banda.
Por isso, “Cut Out” é um exemplo interessante de como Cyndi, ainda antes da fama mundial, já explorava músicas de outros compositores e dava a elas uma nova personalidade.
💰 3. “Money Changes Everything”
Essa talvez seja uma das maiores surpresas para quem conhece apenas a versão de Cyndi.
“Money Changes Everything” foi escrita por Tom Gray, vocalista da banda americana The Brains.
O grupo lançou a música originalmente em 1978, por seu próprio selo, e posteriormente a regravou para seu álbum de estreia de 1980.
Cyndi conheceu a música e decidiu incluí-la em seu primeiro álbum solo, She's So Unusual.
Sua versão ganhou uma produção muito mais pop e acessível, ajudando a transformar uma música originalmente ligada à cena new wave de Atlanta em um grande sucesso.
A interpretação de Cyndi foi tão bem-sucedida que “Money Changes Everything” chegou ao #27 da Billboard Hot 100.
Ou seja: uma música que originalmente tinha uma circulação mais underground acabou se tornando um hit internacional na voz de Cyndi.
🌙 4. “All Through the Night”
Antes de Cyndi Lauper transformar “All Through the Night” em uma balada pop, a música já havia sido escrita e gravada pelo cantor e compositor Jules Shear.
Shear lançou sua versão em seu álbum Watch Dog.
Cyndi, porém, decidiu levar a composição para uma direção completamente diferente.
Em vez de simplesmente reproduzir a gravação original, ela transformou a música em uma delicada balada pop, com uma produção característica dos anos 1980. Os créditos do álbum reconhecem Jules Shear como compositor e Cyndi como responsável pelo arranjo.
O resultado foi enorme.
Lançada como single de She's So Unusual, “All Through the Night” chegou ao #5 da Billboard Hot 100.
E existe uma curiosidade especialmente bonita: Jules Shear também participa dos vocais de apoio da gravação de Cyndi.
🎸 5. “When You Were Mine”
Quando Cyndi Lauper gravou “When You Were Mine”, ela estava reinterpretando uma música do próprio Prince.
A composição apareceu originalmente no álbum Dirty Mind, lançado em 1980.
Três anos depois, Cyndi incluiu sua versão em She's So Unusual.
Um detalhe interessante é que Cyndi manteve os pronomes masculinos presentes na letra, preservando a perspectiva da composição de Prince. Isso fez com que sua gravação carregasse também a ambiguidade presente na versão original.
A interpretação de Cyndi ajudou a apresentar a composição de Prince a uma enorme audiência pop, tornando “When You Were Mine” uma das faixas mais lembradas do álbum.
🕊️ 6. “What's Going On”
Aqui Cyndi escolheu uma das músicas mais importantes da história da música popular.
“What's Going On” foi originalmente gravada por Marvin Gaye e lançada em 1971. A composição, assinada por Marvin Gaye, Renaldo Benson e Al Cleveland, tornou-se um símbolo da música de protesto e das discussões sociais de sua época.
Cyndi regravou a música para seu segundo álbum, True Colors , lançado em 1986.
Mas ela não simplesmente reproduziu a gravação de Gaye.
Sua versão ganhou uma sonoridade synth-pop, típica da produção dos anos 1980. Na versão do álbum, a música começa inclusive com sons de tiros, fazendo referência à Guerra do Vietnã.
A gravação acabou sendo escolhida como single em 1987 e chegou ao #12 da Billboard Hot 100.
Foi mais uma vez Cyndi transformando uma música de outro artista em algo completamente seu.
💃 7. “Iko Iko”
“Iko Iko” tem talvez a história mais curiosa de todas.
A música nasceu em Nova Orleans, a partir do trabalho do músico James Crawford, conhecido como Sugar Boy.
Crawford gravou a música com seu grupo Sugar Boy & His Cane Cutters ainda nos anos 1950.
Em 1963, as Dixie Cups gravaram sua própria versão, que se tornou uma das interpretações mais conhecidas da música. A gravação foi feita de maneira bastante espontânea: as integrantes começaram a cantar a música enquanto brincavam com objetos usados como instrumentos de percussão.
Foi essa tradição musical de Nova Orleans que chegou ao álbum True Colors.
Cyndi gravou “Iko Iko” em uma versão bastante diferente do restante do disco, explorando o caráter festivo e rítmico da composição.
E existe ainda uma curiosidade jurídica: Crawford chegou a entrar em uma disputa com as Dixie Cups pelos créditos da música. Posteriormente, ele recebeu participação nos royalties, e os créditos passaram a incluir também as integrantes do grupo em determinadas edições.
Essas sete músicas mostram uma característica muito importante da carreira de nossa diva.
Cyndi também sempre teve a capacidade de reconhecer uma boa composição e transformá-la completamente através de sua interpretação.
E talvez esse seja justamente o segredo dessas regravações:
Cyndi não apenas cantava músicas de outros artistas. Ela fazia com que elas soassem como Cyndi Lauper.

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