Cyndi Lauper revisita histórias de sua carreira em entrevista especial ao ET: dos bastidores de “Girls Just Want to Have Fun” ao retorno a Las Vegas


Em uma viagem nostálgica por diferentes momentos de sua trajetória, Cyndi Lauper participou de uma edição especial do quadro ET Then & Now, do programa Entertainment Tonight, revisitando entrevistas antigas, recordações de videoclipes, histórias dos bastidores e objetos que marcaram seus mais de 40 anos de carreira.

A conversa trouxe lembranças curiosas e emocionantes, especialmente sobre o início de sua ascensão nos anos 1980, quando seu estilo irreverente, sua personalidade e sua criatividade começaram a conquistar o público.

Ao rever sua primeira entrevista ao ET, realizada em 1984, Cyndi demonstrou carinho ao recordar a produção do videoclipe de “Girls Just Want to Have Fun”.

Segundo a cantora, a gravação foi resultado de uma grande colaboração entre amigos, profissionais de salões de beleza, maquiadores e pessoas que contribuíram com roupas e acessórios de seus próprios guarda-roupas. A própria Cyndi compartilhou suas roupas e maquiagem com os participantes — uma decisão que teve uma consequência inesperada: ela acabou contraindo conjuntivite.

A artista explicou que o vídeo também tinha o objetivo de registrar o espírito de Nova York naquela época. Para ela, o resultado foi muito mais do que um videoclipe: era o retrato de uma comunidade criativa e de um momento específico da cidade.

Cyndi também comentou que não se recorda exatamente da primeira vez em que ouviu a música no rádio. Isso porque, antes mesmo de seu lançamento, a canção enfrentou resistência de profissionais da programação musical, que chegaram a afirmar que sua voz era aguda demais e que a faixa jamais alcançaria as rádios Top 40.

Um dos momentos mais interessantes da entrevista foi a lembrança sobre a participação de sua mãe, Catrine, no videoclipe de “Girls Just Want to Have Fun”.

Inicialmente, a equipe pretendia contratar outra mulher para interpretar sua mãe, mas o orçamento limitado impossibilitou a contratação. Foi então que Cyndi decidiu convidar a própria mãe para participar.

A cantora explicou que a escolha também tinha um significado especial: em uma época em que a cultura popular frequentemente retratava conflitos entre mães e filhas, ela queria mostrar uma relação diferente.

Para Cyndi, conhecer a história das mulheres de sua família e reconhecer sua linhagem era algo importante. Ela afirmou ter orgulho de vir de uma longa linhagem de mulheres fortes.

Durante a entrevista, o ET também apresentou uma gravação antiga de sua mãe falando sobre a infância da cantora. Catrine relembrou que sempre incentivou a imaginação da filha e que acreditava que ela tinha algo muito especial.

Ao rever o depoimento, Cyndi se divertiu com as lembranças e destacou que uma de suas cenas favoritas era justamente a entrevista de sua mãe sobre uma motocicleta.

Outro assunto abordado foi “Time After Time”, segundo single do álbum She's So Unusual, lançado em 1983.

Cyndi revelou que, inicialmente, não havia interesse em permitir que ela escrevesse uma música para o disco. Naquele momento, ela já havia desenvolvido grande habilidade em organizar e trabalhar com composições de outros artistas, mas queria provar que também era capaz de escrever seu próprio material.

A cantora contou que precisou insistir para que a música fosse feita e explicou que desejava que o sucesso da faixa servisse como prova de que artistas também poderiam escrever suas próprias canções.

Ela recordou ainda os comentários de pessoas que acreditavam que seu papel deveria ser apenas cantar. Com seu habitual bom humor, respondeu que só deixaria de escrever quando recebesse uma lobotomia.

A história reforça a importância de “Time After Time” não apenas como um dos maiores sucessos de sua carreira, mas também como uma conquista pessoal e artística.

A entrevista também relembrou a exposição e o leilão Suitcase of Memories, realizados na Bonhams, em Nova York.

Mais de 300 peças de roupas e objetos pessoais relacionados à carreira de Cyndi foram disponibilizados, incluindo figurinos icônicos, como a saia de jornal usada no videoclipe de “True Colors” e o vestido vermelho e branco que ela vestiu na primeira edição do MTV Video Music Awards, em 1984.

Ao observar os objetos, Cyndi explicou que eram verdadeiros fragmentos de sua vida e que havia chegado o momento de compartilhá-los com o público.

Ela também queria que as pessoas compreendessem o pensamento por trás de suas escolhas de figurino e pudessem sentir novamente o espírito criativo daquela época.

A cantora aproveitou para fazer uma reflexão sobre a indústria do entretenimento atual, afirmando que o mundo se tornou excessivamente corporativo e que isso acabou diminuindo a liberdade e a ousadia criativa.

Cyndi também destacou a importância de reencontrar Laura Wills, responsável pela criação da famosa saia de jornal, uma peça que representa muito bem a inventividade e a liberdade estética que marcaram sua trajetória.

A retrospectiva também levou Cyndi de volta ao cinema, com imagens de sua participação no filme Life with Mikey, produção de 1993 estrelada por Michael J. Fox e Nathan Lane.

Ao rever as cenas, a cantora se surpreendeu com sua aparência jovem e relembrou a experiência de trabalhar com os dois atores.

Ela comentou que Michael J. Fox tinha muitas responsabilidades na produção, enquanto sua convivência mais próxima durante as gravações acabou acontecendo com Nathan Lane, com quem se divertiu bastante.

Perto do encerramento da entrevista, Cyndi confirmou sua expectativa para retornar a Las Vegas no ano seguinte.

Questionada sobre o que o público poderia esperar do espetáculo e sobre os planos para o palco, ela adiantou que pretende fazer algumas mudanças na apresentação.

Sem revelar muitos detalhes, demonstrou entusiasmo com a possibilidade de voltar a se apresentar na cidade.

Para finalizar, o ET exibiu imagens de uma apresentação de Cyndi na festa do Emmy promovida pelo programa, em 2010. Ao rever o registro, a cantora demonstrou lembrar com carinho daquela ocasião.

A entrevista especial foi uma oportunidade de revisitar não apenas os grandes sucessos, mas também as histórias, dificuldades e escolhas que ajudaram a construir uma das trajetórias mais singulares da música pop.

Mais de quatro décadas depois, Cyndi Lauper continua sendo lembrada por sua voz inconfundível, sua liberdade artística e sua capacidade de transformar criatividade em identidade.



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